Uma outra concepção de Esquerda e Direita

Quando se fala em capitalismo, deve-se incluir implicitamente que também está se falando do Estado. Ambos são gestados juntos entre os séculos XVI e XVIII com base na acumulação de riqueza oriunda da colonização e tráfico de escravos (mercantilismo). Não existe um sem o outro. O Estado sempre teve um papel central como regulador no capitalismo. E estamos falando aqui do Estado-nação moderno, fundado teoricamente sobre abstrações como soberania, “povo”, território, contrato social. O mesmo Estado democrático de Direito.

11750646_959669290763296_2346958592338692673_nPortanto, o dualismo entre Esquerda/Estado/igualdade/coletivo e Direita/mercado/liberdade/indivíduo não funciona. A história mostra que o Estado não foi capaz de gerar igualdade e o Mercado não gerou mais liberdade. O Estado gerou hierarquias e ajudou a aprofundar o foço entre ricos e pobres, como faz o BNDES no Brasil, transferindo renda de pobres para os ricos. Por exemplo, o financiamento que vai para indústrias, como os R$ 200 bilhões destinados pro agronegócio esse ano ou a grana que banca os cursos de medicina pros filhos da elite. E o Mercado não gerou liberdade. Temos um tempo cada vez mais controlado. Quando não estamos trabalhando, estamos buscando qualificações para trabalhar.

Estou colocando “Mercado” com letra maiúscula porque quero me referir às grandes empresas em conluio com o Estado. “Grandes”, porque isso também acontece em nível estadual e municipal. Mas, não me refiro às trocas livres, que penso poderem ter hoje um papel importante na construção de autonomia das lutas porque é uma forma de geração de riqueza, o que é poder. Por exemplo, os movimentos sempre fazem camisetas, livros, festas, etc, pra financiar suas atividades. Se a esquerda largar de neura com as práticas de mercado livre, agorista (de ágora), mutualista, pode construir muito mais força.

Uma concepção que tenho pensado sobre direita e esquerda e que acho interessante é a da esquerda como aquela que produz caos, turbulências, para criar liberações e linhas de fuga dos aparelhos de controle (quais? A PM, as burocracias partidárias centralistas, a jornada de trabalho, a família patriarcal, etc); e através da produção de caos e desterritorializações cria espaços-tempos que possibilitam reterritorializações, reorganizações, mais autônomas. Digo, a abertura de um tempo para uma nova forma de reorganizar o caos.

E a direita… Aquela que se defende e busca conservar as coisas como estão. Afinal, o futuro é contra ela.

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