O que se perdeu de junho

Daquele evento talvez ainda saibamos muito pouco. Ou talvez fosse melhor dizer que dele aprendemos muito pouco. Ainda são muitos que seguem a buscar a melhor interpretação, a face atrás do véu. “General, agora que sabemos o que realmente aconteceu, o que devemos contar para o povo? E o que devemos pedir para o rei?” Sabemos que Junho de 2013 foi uma fratura na tela do relógio. O relógio tombou e começou a girar diferente. Junho abriu outra temporalidade política e agora parece que mais buscamos entender que tempo é esse do que vivê-lo e experimentá-lo.

O governo Dilma trabalhou para tapar a rachadura no muro, por onde uma luz se insinuava. O governo federal não fez nenhum esforço para frear a repressão violenta das ruas. Fez pior. Encomendou uma lei em regime de urgência para criminalizar as manifestações: a lei antiterrorismo, somada à lei das organizações criminosas sancionada por Dilma em pleno agosto daquele ano de insurgência. No meio disso tudo, o aparato intelectual governista reforçou e refinou o discurso que logo se tornaria consenso repressivo, a seguir desabado sobre as cabeças dos manifestantes. As manifestações foram tachadas de suspeitas e manipuladas, de fascistas, em aliança objetiva com traficantes e imperialistas. Continuar lendo

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Ocupações & Mutirões: disputas por espaço-tempo no capitalismo

Com o avanço de tendências conservadoras e fascistas na sociedade, muitos de nós, que queremos uma transformação do estado de coisas, somos muito afetados pelo niilismo na política. E talvez até cultivamos esse niilismo, damos espaço pra isso e deixamos que isso paute nossa perspectiva da situação. Vemos os comportamentos e discursos de militantes nas redes sociais, nas universidades, nas ruas, e de repente percebemos que não acreditamos mais naquilo. Vemos e não vem mais aquela fagulha de possível que nos faz enxergar um novo caminho. Por exemplo, talvez seja comum a muitos perceber isso em relação à militância partidária, quaisquer que seja o partido. Ela é sempre bastante identitária e está a todo momento tentando proteger seu projeto, mesmo quando ele já parece capengar. Logo, na possibilidade de tal partido chegar ao poder, é provável que essa militância, que tanto criticou o governismo em outros movimentos, vai repetir o mesmo comportamento. Continuar lendo