Monstros do Niilismo: Nick Land

Em 8/2, ocorreu a segunda edição Monstros do niilismo, a partir do pensamento do filósofo inglês Nick Land. Uriel Fiori palestrou sobre Land com foco nos dois livros publicados pelo autor, seguido de debate. Abaixo, Bruno Cava introduz o professor de Warwick e eu faço um comentário crítico da palestra.

Remix cyberdark

Nick Land (1962) é uma figura única entre únicos. Misturando filosofia, cibernética, euforia gótica pelo abstrato e ficção cataclísmica, o professor de Warwick catalisou ao seu redor um coletivo de aceleracionistas, o CCRU (Unidade de Pesquisa de Cultura Cyberpunk), formado em 1995, que exalou uma aura de vanguarda ontológica e atrai espíritos dissidentes sui generis até hoje, por exemplo, em meio aos neomaterialistas do realismo especulativo. Com títulos indefectíveis para os seus livros, como Sede de aniquilação: Georges Bataille e niilismo virulento (1992) ou Númenos com presas (coletânea publicada em 2011), Land retoma conceitos de Deleuze e Guattari, como a desterritorialização e aqueles derivados da virada maquínica, para propor um aceleracionismo fundamentalista estritamente construído sobre a linha dos anjos exterminadores do niilismo ocidental, como Nietzsche, Bataille e o próprio trecho aceleracionista do Anti-Édipo (D&G, 1972). Isso, contrasta, sem dúvida, com toda a fauna de deleuzianos cantores de devires, fluxos e linhas de fuga por todo lado (1). Na Continuar lendo

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Ocupações & Mutirões: disputas por espaço-tempo no capitalismo

Com o avanço de tendências conservadoras e fascistas na sociedade, muitos de nós, que queremos uma transformação do estado de coisas, somos muito afetados pelo niilismo na política. E talvez até cultivamos esse niilismo, damos espaço pra isso e deixamos que isso paute nossa perspectiva da situação. Vemos os comportamentos e discursos de militantes nas redes sociais, nas universidades, nas ruas, e de repente percebemos que não acreditamos mais naquilo. Vemos e não vem mais aquela fagulha de possível que nos faz enxergar um novo caminho. Por exemplo, talvez seja comum a muitos perceber isso em relação à militância partidária, quaisquer que seja o partido. Ela é sempre bastante identitária e está a todo momento tentando proteger seu projeto, mesmo quando ele já parece capengar. Logo, na possibilidade de tal partido chegar ao poder, é provável que essa militância, que tanto criticou o governismo em outros movimentos, vai repetir o mesmo comportamento. Continuar lendo