Imobilismo em repetição

A indignação não pode ser contida por uma identidade qualquer. Uma indignação nasce da percepção de uma alteridade e aponta para o porvir, como ruptura do instante presente. Ela é kairós, ruma para abrir o campo dos possíveis, desapegando-se da série causal que leva do passado ao presente, da segmentariedade dura do já instituído como linearidade temporal e homogênea. Esse tipo de indignação, hoje, está transbordando dos aparelhos que se declaram revolucionários, e se espalha pelo corpo social de diversas maneiras. Inclusive, ao insurgir-se contra os próprios aparelhos que, muitas vezes, operam como imobilizadores.

“Conservadorismo” é um predicado disputado por diferentes sujeitos na atual crise política brasileira. De tanto que tem sido puxado para a esquerda, irritantemente, ele avermelhou. A luta pela conservação do espaço de poder e seus privilégios sob a justificativa de vedação ao retrocesso não faz sentido quando percebemos que já retroagimos muito politicamente, se fizermos uma mínima genealogia do estado Continuar lendo

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